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PENSAR POR SI MESMO
 


Apresentação

Queridas e queridos leitores. Por curiosidade intelectual e necessidade imperiosa de desvendar certos mistérios que rondavam meus pensamentos, decidi estudar religiões por conta própria perto dos meus trinta anos. Em 2009 publiquei um livro: Teofania, Homens que viam e conversavam com Deus (Design Editora). São duas décadas que me debruço sobre o tema, escrevendo para jornais, e blogs. Acho o assunto religião tão importante, já que ela é uma das maiores forças de coerção que existe, e que influencia fortemente nossas opiniões, nosso jeito de ser, e nossa felicidade, que me admiro por encontrar poucas pessoas interessadas em estudá-la, saber suas origens, seus desenvolvimentos, etc. 

Este espaço pretende instigar a curiosidade sobre o tema, mexer com o leitor para que ele também pense por si mesmo. Meu nome é Fernando, e sou pesquisador de religiões e mitologias. Fique à vontade em se manifestar, venha em paz e na cordialidade que todas as opiniões serão bem-vindas. 




Escrito por F. Bastos às 11h24
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O fator religião

Para entender as religiões é de fundamental importância tentar entender quando o Homem começou a acreditar em Deus, num Ser responsável pela criação do mundo. Os cientistas dizem que assim que o homem começa a ter consciência de sua existência (alguns teóricos acreditam que isso aconteceu há cerca de 130 mil anos, devido às descobertas de sepulturas, que indicavam a crença numa vida pós-morte), ele passa a formular perguntas: quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? 

Proponho usarmos nossa imaginação, fazermos de conta que entramos numa máquina do tempo e voltamos para a época em que os primeiros bandos de humanos começam a se deslocar em busca de bons abrigos e alimentos. 

Imagina que um desses nossos ancestrais, provavelmente o mais inteligente e curioso do grupo, após um dia caçando mamutes, coletando frutos e pescando, resolve descansar sob a sombra de uma árvore. Em vez de voltar para a caverna juntamente com os companheiros e compartilhar o jantar que as mulheres irão preparar mais tarde, ele prefere se isolar e refletir sobre algumas coisas que o incomodam (lembremos que os primeiros agrupamentos humanos não tinham mais que vinte pessoas). 

Aquele homem, debaixo daquela árvore, olhos semicerrados, olhando para o céu, vestido com peles de animais, tem cerca de trinta anos, e mais uns dez de vida. Há cem mil anos, a idade média de existência dos humanos era de quarenta anos.  Agora atenção, ele está nesse momento observando as primeiras estrelas que surgem no crepúsculo, enquanto mastiga um fruto que acabou de arrancar da árvore. Nosso amigo tenta saber quem é o responsável pelos fenômenos que acontecem diariamente na Natureza. Subitamente, ele começa a pensar que devem existir seres invisíveis superpoderosos controlando o mundo ao seu redor. Raios, trovões, enchentes, doenças, são sinais de que esses seres invisíveis estão bravos com as criaturas na terra; tempo bom, êxito na caçada e saúde entre os membros da tribo são sinais de que esses seres invisíveis estão satisfeitos com eles. Os cientistas chegaram a essa conclusão ao entrar em contato com tribos que viviam em estado primitivo, nos séculos 18 e 19. 

Há várias teorias para o surgimento da religião: a antropológica, a sociológica, a psicológica, a econômica, etc. Na verdade, todas elas têm seu quinhão de importância para explicar o nascer do sentimento religioso no homem. Lembrando que religião, numa definição popular, é religar-se a Deus, voltar a unir-se a Deus. O Dr. David Sloan Wilson, professor da Universidade Estadual de Nova York em Binghamton e respeitado biólogo evolucionário, diz que “a religião representa uma espécie de mega-adaptação: um traço que veio a predominar por garantir vantagens àqueles que o possuem.” Na teoria dele, aceita por muitos cientistas, os bandos que fossem unidos pela crença em um deus, eram mais coesos e por isso, tinham vantagens na luta pela sobrevivência contra grupos rivais que não tinham um líder espiritual, nem crença em um deus. Assim, aqueles grupos de crentes, iam se fortalecendo e se expandindo, enquanto os outros grupos, que não acreditavam em divindades, iam desaparecendo.

Um dia, esse nosso amigo que passava longos períodos meditando debaixo de árvores, ou isolado numa montanha, acredita estar ouvindo as vozes dessas entidades invisíveis. Repare como ele está excitado...Ele não vê a hora de contar a novidade para seus amigos e familiares. Ao encontrá-los, ele tenta convencê-los de que consegue falar com as entidades que regem o mundo, sabe o que elas desejam, o que elas gostam ou odeiam. 

Mas ele enfrenta um problema. Não está conseguindo convencer a todos que conversa com os seres invisíveis. Alguns do bando entreolham-se, parecem duvidar e mesmo zombar de suas conversas com os “grandes espíritos”, mas aos poucos ele conseguirá persuadir a maioria, de modo que em poucos dias, será nomeado líder do bando. Como sabem os psicólogos, a maioria das pessoas tem mais facilidade em acreditar do que duvidar.

Senhoras e senhores, acabamos de conhecer o primeiro sacerdote (palavra latina que significa representante de Deus). Teria sido ele o mais inteligente do bando?...o mais velho?... ou talvez fosse um esquizofrênico? Psicólogos dizem que pessoas hoje em dia que juram ver e ouvir Deus e anjos, geralmente têm distúrbios psicológicos ou alguma doença mental.

Esse primeiro sacerdote recebe agora atenções especiais e respeito por parte dos companheiros. Mas um acidente lhe tira a vida. Um tigre saltou sobre ele e o matou, quando estava desprevenido, em uma de suas caminhadas solitárias. Com sua morte, outro vai assumir o seu lugar, pois o bando precisa de alguém que lhe oriente sobre os desígnios dos Céus. 

Nossa máquina retorna no tempo. Estamos no Neolítico, há 10 mil anos atrás. A população da Terra aumentou astronomicamente – já somos quase cinco milhões - e há presença humana em todos os continentes, exceto a Antártida (ou Antártica). A classe sacerdotal também multiplicou-se, e comanda a vida das tribos, realiza sacrifícios aos deuses (os antigos espíritos invisíveis), recebe presentes e tributos do povo, que serão oferecidos ao deus principal, para aplacar sua fúria e conceder proteção aos humanos. Como os sacerdotes divergem sobre questões a respeito dos deuses, das ofertas, dos sacrifícios, etc., começam a haver desagregações entre eles, e como consequência, cada grupo irá para lados opostos, criando suas próprias religiões e escolhendo seus próprios deuses. 

Começava a Batalha das Religiões.




Escrito por F. Bastos às 11h19
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Os primeiros legisladores de deus

Vamos acelerar nossa máquina e parar pelo ano de 2.050 antes de Cristo. Estamos na  Mesopotâmia (onde hoje é o Oriente Médio). Por essa época, surgem os primeiros reis que criam uma legislação para manter a ordem social. O interessante, é que esses reis diziam que o autor das leis não eram eles, mas Deus. Eles sabiam que se dessem crédito das leis para um deus, teriam mais êxito.  Destaco dois monarcas conhecidos pelos historiadores: Ur-Nammu (ou Ur-Engur), da cidade-Estado de Ur, na Suméria, e Hamurábi, na Babilônia. 

Mas não será um rei que obterá maior sucesso em divulgar seu encontro com Deus. E sim, um profeta. Moisés (segundo a Bíblia, séc. 13 a.C.) subiu ao monte Horeb e lá teve suas primeiras conversas com Deus. Depois, recebeu as tábuas dos Dez Mandamentos. É considerado por muitos como o autor do Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia. O judaísmo é celebrado como a primeira religião monoteísta, culto a um só deus. Moisés anunciará aos israelitas que Deus os escolheu como povo preferido, que deverá guiar a humanidade nos caminhos do Senhor. Moisés também enfrentou oposição nos primeiros dias. Muitos continuaram com seus ídolos pagãos, mas com o tempo, a maioria o aceitou como seu guia espiritual.

O judaísmo irá influenciar depois o cristianismo e o islamismo. A Bíblia hebraica (o mesmo que o Antigo Testamento da Bíblia cristã) irá servir de base para a Bíblia cristã, que só acrescentou o Novo Testamento. O Corão, livro sagrado do islamismo, conservou conceitos da Bíblia: a ideia de um deus único, criador do mundo, juiz, que vai mandar no dia do Juízo, uns para o céu e outros para o inferno.




Escrito por F. Bastos às 11h19
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Bíblia – palavra de deus ou do homem?

Já adianto que não vou discutir a existência ou não existência de um Deus criador. Esse assunto eu deixo para os cientistas, teólogos e você leitor. A questão que pretendo trazer é se a Bíblia, também conhecida como Escrituras Sagradas e Bíblia Cristã, é de fato a palavra de Deus, o que significa dizer que a Bíblia foi escrita por homens mas sob inspiração de Deus; ou se ela é uma obra apenas humana, sem apoio de Deus. 

A Bíblia é o livro mais vendido no mundo, porém um dos menos lidos. E mesmo assim, a Bíblia interfere ainda hoje nos nossos relacionamentos, no modo de pensarmos e agirmos.

Como isso é possível? É que nossa educação é fortemente influenciada pela doutrina judaico-cristã que está presente na Bíblia, e assim, mesmo sem que a maioria a tenha lido, segue concordando com o que os padres e pastores falam.

A Bíblia é também um livro contraditório. Ela tem inspirado ao longo do tempo atos de bondade bem como atos de selvageria, massacres, guerras. Foi pela fé nos ensinamentos de amor de Jesus que o mundo produziu São Francisco de Assis, Madre Tereza de Calcutá, Martin Luther King e Irmã Dulce. Foi pela fé nos ensinamentos de Moisés que o mundo produziu as Cruzadas e a Santa Inquisição. No mesmo livro, uma página manda amar ao próximo e não revidar a violência (se alguém lhe bater na face direita, ofereça também a outra), em outra, manda vingar-se com a mesma moeda (Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe).

Mas eu lanço a pergunta:

Temos provas de que a Bíblia é mesmo inspirada em Deus? Ela é mesmo o livro mais perfeito em matéria de ética e moralidade?

Vamos tentar achar as respostas. Primeiro vamos ver o que a própria Bíblia diz:

2 Tm 3.16,17: A Bíblia é divinamente inspirada. 

Isso quer dizer que as leis e os ensinamentos ali presentes foram dados por Deus. Conhecendo-os podemos verificar se eles se harmonizam ou não com um Deus de Amor e inteligente.

Alguns são bons e sábios...

Antigo Testamento (Livro do Êxodo): Honrar pai e mãe, não matar, não roubar, não maltratar o estrangeiro, a viúva e o órfão. Novo Testamento: Amar ao próximo, fazer caridade, não revidar a violência, perdoar setenta vezes sete.

No entanto, a maioria deles incentiva o racismo, a xenofobia, a misoginia, o ódio aos que seguem outro deus e é contrária aos direitos humanos e à liberdade de pensamento. 

Os filhos beberrões devem ser mortos (Dt 21,18).

Um pai pode vender a filha como escrava (Ex 21,7)

A mulher deve ficar calada nas assembleias (I Coríntios, 14,34)

A noiva que não chegasse virgem ao casamento era morta a pedradas (Dt 22,13).

Um judeu não podia casar com uma estrangeira (Deuteronômio 7,3). Diz que deus não quer porque iriam adorar outros deuses. O motivo era de herança.

A Santa Inquisição, movimento católico entre o século doze e meados do dezoito, que levou para a fogueira cerca de cinco milhões de pessoas (segundo alguns cálculos) não teria existido se não fosse a Bíblia. É que a Bíblia contém todos os ensinamentos que aprovam os atos dos Inquisidores da Igreja. Vejamos quem eram as pessoas que deveriam ser mortas, segundo a Bíblia:

Homossexuais (Levítico 20,13)

Cientistas e hereges: há vários trechos que incitam a matar quem desconfia de sua veracidade. Eis um deles:  “Não pronunciarás o nome de Javé, teu Deus, em prova de falsidade, porque o Senhor não deixa impune aquele que pronuncia o seu nome em favor do erro.” (Êxodo 20,7).

Mulheres acusadas de bruxaria: Êxodo 22,18.

Os povos que cultuam outros deuses (ter outra religião) devem ser mortos sem piedade (inclusive crianças): Josué 6,21. Em Deuteronômio 20,16: “Quanto às cidades daqueles povos cuja possessão te dá o Senhor, teu Deus, não deixarás nelas alma viva”.  E em Dt 17,2: o homem que ir servir a outros deuses será apedrejado até à morte. Nunca é demais lembrar que são ordens de Deus, segundo a Bíblia.

Quem não aceita Jesus como filho de Deus: numa parábola atribuída a Jesus (será que foi ele mesmo quem disse ou trata-se de uma interpolação?) ele diz “E quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim.” Lucas 19:27. Pronto. Era tudo que a Igreja precisava para justificar as torturas e os assassinatos dos não cristãos e hereges.

Não cabe aqui explicar porque a Santa Inquisição terminou e porque a Igreja hoje não tem mais poder sobre a vida das pessoas. Para entender isso, recomendo a leitura sobre a Revolução Francesa, que conseguiu separar o Estado da Igreja, e com isso dinamitou o poder do Vaticano. (interessados podem ler no Wikipédia ou livros de história).

 

Mc 13.31: A Bíblia é infalível. 

As várias profecias falhas (nenhuma delas logrou êxito) mostram que a Bíblia não é infalível. Vou citar só uma. Você pode encontrar no Google todas as profecias erradas da Bíblia. Diz em Isaías 17:1, que Damasco, capital da Síria, se tornará um monte de ruínas. Ela prospera até hoje.

A Bíblia diz que Deus apareceu a Moisés e lhe entregou mandamentos a serem seguidos (livro do Êxodo) 

Esse mito é copiado de lendas antigas. Em 2050 aC em Ur, na antiga Suméria, encontraremos o rei de Ur. Ele criou o primeiro código de leis que se tem notícia. Isso é fato. A lenda é que ele afirmou que as leis lhe foram dadas por Shamash, o nome de um deus sumério. Outro rei que afirmou ter sido visitado por um deus e lhe deixado leis foi Hamurabi, na Babilônia do século 17 aC. Qual o objetivo desses reis ao dizer que as leis eram criações de um deus? Dar credibilidade as leis.

A Bíblia diz que Jesus é Deus. Mas será que Jesus era deus? Ou um professor da moral, como tantos em seu tempo?

Segundo os estudiosos em mitos, a vida de Jesus contém muitos elementos de deuses antigos e redentores. Que viveram bem antes dele. Sem esse caráter de um ser divino, é pouco provável que os seus discípulos conseguiriam arregimentar mais seguidores. Vamos ver onde a biografia de Jesus foi buscar ajuda:

O mito de Osíris no Egito, alguns séculos AC diz que ele morreu, ressuscitou, e subiu aos céus para julgar a alma dos mortos. Os bons iam para o céu e os maus para o inferno. O mito de Krishna diz que ele nasceu de uma virgem, e quando morreu, ressuscitou ao terceiro dia. Tamuz, um deus pré-cristão, morreu numa cruz, e ressuscitou ao terceiro dia. O mito de Mitra, um deus persa, que depois foi cultuado em Roma, diz que nasceu de uma virgem, era chamado de bom pastor, teve discípulos, morreu, ressuscitou ao terceiro dia, e subiu aos céus numa carruagem de fogo.

A Bíblia diz que Maria engravidou do espírito de deus (espírito santo) e gerou o salvador, o filho de deus.

O que os mitólogos têm a dizer sobre o mito da mãe virgem de um salvador?

Essa lenda foi copiada também de antigas culturas. Tinha por objetivo deixar cravado na mente das mulheres que elas deviam se espelhar na mulher perfeita: a mãe do salvador, que nega o sexo e é obediente a deus. Assim, elas mantendo-se virgens até o casamento, e negando o prazer, os homens sentiam-se mais seguros e confiantes de que não seriam traídos. E outra mensagem era que certos homens por causa de sua inteligência, bondade ou força física, tinham uma parte divina e uma humana.

Eis algumas mulheres fecundadas por um deus antes do mito cristão.

Na antiga Grécia, Alcmena, esposa de Anfitrião, uniu-se a Zeus e gerou Hércules; Leda, esposa do rei Tíndaro, uniu-se a Zeus e gerou Helena; Dânae, filha de Acrísio e de Eurídice uniu-se a Zeus e gerou Perseu; Europa, filha de Agenor, uniu-se a Zeus e gerou Minos e Radamantis; Sémele, filha de Cadmo e de Harmonia uniu-se a Zeus e gerou Dionísio; Corônis, filha de Flégias uniu-se a Apolo e gerou Asclépio; Na antiga pérsia, Dugdav ou Dugdhova, moça de quinze anos e ainda virgem, esposa de Pourushaspa, uniu-se a Ahuramazda e gerou Zoroastro. No Nepal, em sonho, um elefante sagrado uniu-se a princesa Maya penetrou-lhe com a tromba, fecundou-a e depois de nove meses ela gerou o senhor Buda. São mitos, lendas construídas depois de muito tempo que essas personagens, muitas delas reais, viveram.

A Bíblia diz que só vai para o céu quem acreditar que Jesus é deus e os demais (de outras religiões e os ateus e agnósticos) vão para o inferno.

Como existem 7 bilhões de pessoas no mundo e apenas 2, 1 bilhões de cristãos, se hoje o mundo acabasse, cerca de cinco bilhões iriam para o inferno. Sem falar dos que viveram em outros séculos e não eram cristãos. 

Temos que usar o bom senso e nossa inteligência para saber se isso é verdade ou não. E contarmos com a ajuda dos mitólogos para saber se o inferno é real ou não.

De acordo com os mitólogos, o inferno é uma invenção dos antigos sacerdotes para melhor conduzir o povo. Com o medo do castigo eterno depois da morte, era mais fácil para as autoridades controlar a violência, a desordem, e enriquecer. Pois para não serem lançados ao inferno, o povo era convencido a contribuir com ofertas dinheiro e presentes para os padres. A Igreja católica enriqueceu muito na Idade Média com as indulgências. 

Mas se você ainda acredita que o inferno é real, como Ratzinger, o ex-papa Bento 16, lhe proponho pensar:

Será que Deus ficaria feliz vendo que cinco bilhões de pessoas (seus filhos) estão sofrendo no inferno? (sem contar todos os outros que viveram antes de nós em outras épocas).

Pode Deus ser sábio ao mandar para o inferno um judeu que foi bom trabalhador e bom pai de família apenas porque não acredita em Jesus, e mandar para o céu um assassino, estuprador de dez crianças, mas que no último minuto se arrependeu e se confessou a um padre e afirmou que crê em Jesus?

Se você é mãe, cristã fiel, ficaria feliz no céu, se tivesse dois filhos, um tão cristão quando você, que estaria ao seu lado no céu, mas outro tivesse seguido outra religião, e por isso, ido parar no inferno? 

Você ainda acredita que o inferno existe ou foi uma criação humana de sacerdotes, para obter vantagens com o medo do povo?

O problema em se aceitar a Bíblia como a  Palavra de Deus, é que como vimos antes,  ela contém não apenas bons ensinamentos . A Bíblia é muito mais que isso. Ela tem ditado normas morais que nem sempre são boas e éticas. 

Os mais injustiçados, os que mais sofrem com a crença de que a Bíblia é a palavra de Deus e suas regras morais devem ser obedecidas são:

1. As mulheres. Durante séculos a Igreja mandou matar mulheres acusadas de bruxaria. Até as benzedeiras eram morta nas fogueiras. Ainda hoje a mulher é discriminada sexualmente. Tem menos direitos que os homens em sua vida sexual. 

2. Os homossexuais. Morre a cada dois dias no Brasil, um homossexual por motivos homofóbicos. Por causa do discurso da Igreja, contra os direitos dos homossexuais, eles sofrem por não poder manifestar afeto em público como os heteros. Pesquisas mostram que é grande o número de suicídios entre os homossexuais por causa do preconceito contra eles por parte das famílias e da sociedade.

3. Os ateus, os agnósticos e livre-pensadores. Geralmente eles fingem acreditar, para não serem discriminados pela sociedade. Um artista não venderia discos, um político não se elegeria, um comerciante perderia clientes. É profundamente cruel o tratamento de grande parte dos religiosos por aqueles que não creem ou tem outra religião contrária a deles. A Igreja doutrinou o povo a achar que a crença é mais importante do que as atitudes e o caráter.

 

Não precisa deixar de acreditar em Deus se isso lhe faz bem. Mas cuidado com pessoas que dizem saber exatamente de que jeito você deve viver, com quem pode fazer amor e com quem não pode, como se vestir, como deve ser seu cabelo, o que comer ou não comer, como e em que posição rezar, quem amar, quem odiar. 

Isso não é de Deus, é dos homens.




Escrito por F. Bastos às 11h18
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